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Grizzly Bear "Ready, Able"
Optimus Discos: Série 1
Uma iniciativa da Optimus, apadrinhada por Henrique Amaro, que é de louvar. Pelo risco em inovar e criar uma plataforma editorial de discos, primeiro virtual e depois física, que permite a alguns artistas e projectos do Portugal de hoje, alguns que já vinham de ontem e outros que continuam para amanhã, lançar não só as suas estreias mas também registos num formato mais descontraído e despreocupado em relação a vendas e/ou aceitação.
É uma solução que só pode agradar a todos: à Optimus pela boa imagem que continua a apresentar no apoio à música; às bandas que assim editam gravações que dificilmente tinham lugar noutro espaço; ao público que pode fazer o download grátis e legal de todos estes discos e, por fim, à música portuguesa em geral que ganha um lugar para promoção e destaque independente e livre de editoras.
Palavra ao Director Artístico Henrique Amaro, escrito no manifesto/editorial deste novo projecto: "A acessibilidade a esta criatividade emergente tem de ser promovida e o desperdício contrariado. Esta plataforma editorial nasceu com essa ideia – partilhar e fomentar o uso da música destes artistas. Clique e tenha."
Tudo isto, aqui.

Graham Coxon "The Spinning Top"
Depois de seis álbuns gravados a solo, com a electricidade sempre presente nas guitarras ligadas aos pedais com ruído de bom gosto, eis que Graham Coxon surpreende. E logo a partir da faixa de abertura deste novo álbum. "Look Into The Light" tem aquele dedilhado acústico muito próprio de Nick Drake. E soa bem. Muito bem mesmo. Depois entra uma steel-guitar. Mais à frente uma guitarra eléctrica à la Coxon. E soa cada vez melhor. Nas 14 faixas seguintes ouvimos mais guitarra acústica mas eléctrica também. Violinos e um contrabaixo. Um coro feminino e por vezes misto. E sopros. E baterias meio jazz, meio bossa nova mas sempre pop.
Como sempre, a capa e todo o artwork foi criado pelo próprio. E, do princípio ao fim deste disco, é contada uma história dum homem desde que nasce até que morre. Um álbum conceptual na era do mp3? Sim. Porque este é um álbum fora de tempo, fora de estação. Porém intemporal como aquele que juntou Beth Gibbons (dos Portishead) a Rustin' Man (ex-Talk Talk) em 2002, chamado precisamente "Out Of Season".
Mas afinal esta nova sonoridade do guitarrista dos Blur não é totalmente surpreendente... Já este ano ouvimos estas paisagens mais acústicas por ele desenhadas no álbum de Pete Doherty (ex-Libertines) "Grace/Wastelands", embora este "The Spinning Top" tenha sido gravado antes... Numa altura em que se fala da reunião dos Blur, anunciada há meses, fica a água na boca para o próximo registo deles... Coxon acústico & Albarn do mundo? Cá estaremos para ouvir.

Gal Costa "Gal Costa"
Foram precisos trinta anos para este álbum chegar até mim. Já conhecia a maior parte das músicas (compostas por, entre outros, Caetano Veloso, Jorge Ben, Tom Zé). Já conhecia também a voz doce da Gal Costa. Já tinha ouvido noutros discos os arranjos orquestrais tropicalistas de Rogerio Duprat. Já tinha sentido estas guitarras embebidas em psicadelismo nalguns discos do Caetano da época. Mas tudo isto a entrar, ao mesmo tempo e sem pedir licença, pelo meu ouvido... isso é que nunca tinha acontecido! Um clássico imediato da música brasileira. Tropicália, MPB, Bossa-Nova. Está tudo aqui. E existe por aí uma edição em vinil de 180 gramas que é altamente recomendável.
Charles Spearin "The Happiness Project"
Este álbum é um projecto. Charles Spearin, um elemento dos Broken Social Scene, gravou uns vizinhos a falar de felicidade e de seguida colou as melodias de saxofone, violino, guitarras e o que mais houvesse à mão por cima das frases. Um disco estranho no ouvido sem o conceito na cabeça. Um álbum difícil de escutar mesmo depois de todas as informações sobre o processo. Uma ideia básica mas criativa e inovadora. Ou apenas mais um maluco com muito tempo livre. De qualquer das maneiras, interessante.

Cymbals Eat Guitars "Why There Are Mountains"
Logo aos primeiros segundos do álbum de estreia desta banda lembro-me do "Funeral" dos Arcade Fire. Quando entra a voz lembro-me do Stephen Malkmus dos Pavement. Alguém mencionou também os Modest Mouse? Quando termino a primeira audição de "Why There Are Mountains" já não me lembro de outros nomes e decoro este: Cymbals Eat Guitars. O vocalista tem apenas 20 anos. Eles vivem ali para os lados de New York. Where else...?
Está aqui tudo. A urgência em contraste com a melancolia. O cinzento e o branco escuro. O ruído no feedback das guitarras, a doce melodia do piano com violinos. Está aqui, também, um grande álbum de 2009. E, acima de tudo, a vontade de voltar a ter 16 anos a caminho da escola com estas músicas no walkman. Como em 1997.
Ouvir aqui.

Art Brut "Art Brut Vs. Satan"
Citação:
"DC comics and chocolate milkshake
Some things will always be great
DC comics and chocolate milkshake
Even though I'm 28
DC comics and chocolate milkshake
I guess I'm just developing late
DC comics and chocolate milkshake
I never got over that amazing taste"
Factos:
Produzido por Frank Black (Pixies) mas soa a Sex Pistols.
Sai a 20 de Abril, pela Cooking Vinyl.
Ouvir aqui.
Starfucker "German Love"
Nada melhor para começar do que um vídeo desta banda de quem nunca ouvi falar. E de quem, muito provavelmente, amanhã já nem me lembrarei do nome. Isto não é POP. Isto é PÓS-POP. Digo eu. E sejam todos bem-vindos. Se vierem por bem. Como cantava o Zeca.
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